artigo#02 - Por onde anda sua automotivação?

Fazer, não fazer ou fazer diferente: por onde anda sua automotivação?

Pensar em perda como transformação e não destruição é a primeira coisa a fazer sobre a mente, onde tal ação está pelo seu atributo mais refinado que é a reflexão. Refletir é dobrar determinado assunto, como se retornasse ao ponto inicial diversas vezes, a fim de deixar que em cada retorno, flua por outras trilhas de possibilidades e probabilidades.

A reflexão em seus diversos graus de quantidade e qualidade, tornam o fazer, o não fazer ou o fazer diferente as três únicas opções contidas pela nossa qualidade cativa e sedenta por movimento e conexão. Honradamente, temos o “livre-arbítrio para fazer das perdas algo quase milagroso para muitos: fortalecer e seguir.

Mas, qual direção tomar? Qual o motivo que pulsa para a atividade e decisões? O que motiva? Como lidar com os medos que impedem fazer, ou seja, dar manutenção e continuidade; que impedem não fazer, ou seja, negar e reprimir; ou impedem fazer diferente, o que significa encararmos os desafios da adaptabilidade que, por vezes, derruba certezas, planos, orgulho, mas que, paralelamente, desenvolve a consciência, exercita a inteligência e descobre talentos?

Ciências

Nos anos 80, o psicólogo Howard Gardner liderou pesquisa em Harvard e lançou a Teoria das Inteligências Múltiplas. Definiu oito tipos, sendo uma delas, a Inteligência Intrapessoal, ou seja, o nível de capacidade do indivíduo de produzir por si mesmo a atenção sobre suas reações emocionais e nutrir sentimentos efetivamente humanos que inclui a automotivação, ou seja, o desejo de sair da cama todas as manhãs e agir.

Muito antes, em 500dC, o Tantra apresentou a sua teoria sobre inteligência, atribuindo-a à mente que considera uma esfera diferente do cérebro. Sobre a mente, descreve quatro atributos:

– Buddhi: é a capacidade intelectual da mente, aquela que exprimi sabedoria ao conectar conhecimentos, elaborando, por fim, uma fidelíssima escala de valores mais apropriada ao bem comum. Desenvolve-se o discernimento por meio desse atributo e pelo exercício da reflexão; atenua a confusão entre “cobra que mata e corda que salva” enquanto no túnel escuro.

– Ahamkara: estrutural do ego que providencia que ajamos no mundo, construamos uma realidade e satisfaçamos desejos; não está nem aí para “buddhi” e quase sempre será pelo tamanho da dor que se cede ao aclame de algo mais profundo que exige reflexão, discernimento e coragem.

– Manas: é a própria inteligência e sua faculdade de atenção em PROCESSAR os estímulos que chegam aos nossos sentidos. A inteligência empanturra-se de informações e estímulos sensoriais.

– Chitta: um anexo a teoria proposta, faz referência ao banco de memórias. Vívidas ou soterradas, são marcas que nunca desaparecem, tendo sido acumuladas das tantas vidas, segundo o Tantra.

Todos os modelos de inteligência, sejam Ocidentais ou Orientais, desenhados como forma de ajudar ao aspirante na jornada da vida, produzem autoconhecimento e alimentam autonomia. Mas, efetivamente, operam para o desenvolvimento da consciência; reconhecimento de nossas autênticas intenções que acionam decisões e atividades, mas, também geram consequências e novas marcas para além vida.

A partir de uma dinâmica mais integrada entre mente-cérebro-corpo, fica possível obtermos maior clareza sobre a tríade do livre-arbítrio “fazer, não fazer ou fazer diferente”.

Se uma minhoca já possui sua felicidade natural e pronta, nós, humanos, precisamos encontrar e cultivar a nossa em meio as diversas e contínuas tempestades emocionais. Obtendo maior grau sobre nossas várias inteligências e sobre os atributos mentais que nos fazem criar, podemos aprender a melhor lidar com o aparato sensorial ao observar as emoções que são ativadas pela interação com o meio.

As emoções criam os pensamentos que projetam uma realidade subjetiva, reflexo do nossos próprios conteúdos e escala de valores. O que se pretende é vir a enxergar um vasto horizonte, sentir toda nossa vulnerabilidade exposta e suportar isto que é o efeito da própria vida consciente.

Onde mais poderia existir maior motivo para a ação diária, quando a tanto a percorrer, tanto a aprender, tanto a conhecer, tanto a experenciar e tantos a quem tocar?

Conclui-se, pois, que o poeta estava certo: é preciso estar atento e forte, porque a automotivação é algo muito mais espiritual do que físico; tanspessoal e não indivíduo, mental e não puramente cerebral, e, principalmente, é emocional, pouco racional.

Podemos refletir por onde anda nossa automotivação a partir das três ações:

– Fazer:  compreender que pouca coisa se controla; observar as emoções e as consequências geradas, interior e exteriormente; aprender novas técnicas; rever consumos.

– Não-Fazer: perceber o quanto se acumulam coisas; sentir excessivo medo e raiva, espalhando esse desamor em volta; criticar, reclamar; ficar doente ciclicamente.

– Fazer-Diferente: compartilhar, cuidar bem de si e do outro; compreender que somos muitos; estar solidário; agradecer; inovar; somar.

artigo#01 - Isolamento Social com Atenção Plena.

Objetivamente, precisamos encarar o fato de que o isolamento social se torna um grande desafio entre nós; tende a inaugurar uma nova consciência de massa frente a uma Nova Era que promete, ironicamente, a União. Há muitos indícios disso e a pandemia chega a tirar o ar, literalmente. Como precisamos ampliar em muito o convívio harmonioso com todas as diferenças mundo a fora, um vírus mortal nos motiva e traz para dentro de casa a amostra de quão grande está o desafio.

O estresse da coexistência pelo isolamento é inevitável, porque os motivos que o gera até podem parecer outros, mas, na verdade, são os mesmos: ego centrado e emoções infantis, com o agravante de que, agora, a indústria de entretenimento e afins estão fechadas. As farmácias e supermercados dão uma salvaguarda, também a internet, as “lives”, as redes sociais, as bibliotecas e namoros virtuais. A casa está limpa como nunca se viu e os armários arrumados e reajustados. Há o que fazer, mas parece que nada satisfaz efetivamente.   

Ou seja, o estresse do isolamento gera colapso também sobre os prazeres da vida que são, paradoxalmente, promotores de estresse pela sua própria natureza de insatisfação: um desejo satisfeito resulta em um novo instantaneamente. Sem satisfação, para onde vai toda essa energia produzida pelo estresse?

Individualmente, faz comer mais, favorecendo ou o sal, caso a racionalidade seja o perfil, ou o açúcar, quando as carências emocionais estão à flor da pele. Externamente, recai junto a todas as pessoas presentes que se encontram em situação semelhante.

Trata-se de um importante exercício em compreender que cada um de nós é o outro, apenas em proporções e tempos diferentes. Temos a oportunidade de observar determinadas demandas pessoais como um aspecto positivo da experiência no convívio “forçado”. Podemos usar da atenção plena e aplicar boa parte da energia excessiva do estresse sobre nós mesmos e de forma positiva, ou seja, transformando-nos ao invés de nos tornarmos obesos ou chatos.

O Isolamento

Os dias iniciais lembram muito a pausa das férias em família com “home office”, inclusive. Essa é a fase em que os estímulos internos habituais ainda acionam nível alto no sangue do estresse corriqueiro. Embora tudo em volta esteja anormal, no fundo do ser muitos ainda negam, fantasiam, superestimam a si mesmos, brincam.

Segue-se a robotização, apenas numa atmosfera diferente.

Uma segunda fase é quando o estresse viciado perdeu a força; a ficha caiu e realmente estamos sob ordem moral e ética do isolamento. Surge aquele desânimo, tristeza, espécie de vazio, de falta do que fazer.  

Essa baixa, no entanto, é enganosa. Igualmente ao dependente químico, traz aos poucos pensamentos de pré-ocupação.

Entra a terceira fase e a agitação da mente é retomada. O corpo exige ir e vir, precisa se movimentar, ter mais espaço; a forte energia por atividade suplica a tal liberdade. Passado e futuro passam a reger o fluxo dos pensamentos. Preocupações antigas e criação de tantas novas viram dramaturgias, pois, imediatamente, todas são conectadas ao banco da memória emocional. Então, o organismo em totalidade responde à agitação. Surgem ou intensificam insônias, ansiedade explode, medo cresce, solidão se aprofunda, raiva jorra por meio de julgamentos e excessivas críticas: queremos um culpado da nossa própria desgraça.

Hora da Atenção Plena

Atenção Plena ou “mindfulness” é uma técnica milenar de origem budista que nos permite treinar o estado presente e a maravilha de simplesmente desligar a ruminação mental. Não é milagre. Atenção Plena é um treinamento que desenvolve a consciência; torna-a capaz de enxergar as reações automáticas e, assim, ajustá-las para que novas ações melhoradas ou mais apropriadas explorem a um bom convívio coletivo.

Atenção Plena chegou no Ocidente na década de 70 e se tornou um movimento mundial. Hoje nos EUA virou protocolo político-social em escolas e presídios. Por conter aspectos filosóficos embutidos que derrubariam o sistema disfuncional existente, verdadeiramente poderia ser uma técnica revolucionária. Mas, por aqui escolhemos ficar somente com um básico treinamento de concentração, o que torna possível realiza-lo no cotidiano de nossas vidas, usufruindo dos resultados nesse nível.  

Para treinar o estado presente, manter a mente mais concentrada e reverdecer a memória de curto prazo, inicie atenção sobre romper hábitos danosos e criar novos saudáveis. Isso não ocorre de imediato porque se age sobre a mente que é sutil e volátil, diferente do cérebro que é físico e determinado, como um músculo.

Exercite:    

– Beber mais água para urinar mais: provocar a dupla de rins ajuda emocionalmente a aliviar o sentimento de solidão.

– Comer mais fibras para gerar saciação prolongada: barriga cheia age como calmante porque há muito o que digerir, usando de analogia para refletir, pensar a respeito, imaginar possibilidades. A produção de mais bolo fecal e sua posterior eliminação facilitada pelas fibras, libera maior dose de serotonina, hormônio de prazer, o que ajuda a bons pensamentos.

– Mastigar devagar e levar atenção sobre a movimentação da língua enquanto tritura os alimentos dentro da boca. Aprofunde a percepção dos diversos sabores. Evite conversas longas e problemáticas durante a alimentação. Só coma quando realmente sentir fome, evitando sobrecarregar o sistema digestivo que afeta negativa e indiretamente o sistema imunológico, além de outras compensações negativas junto a demais órgãos.  

– Tocar o próprio corpo ainda molhado, logo após o banho. Use de tapinhas por todo ele, da ponta da cabeça ao dedão do pé, curtas e rápidas, repetidas vezes. Essa ação provoca a bioeletricidade química, liberando oxitocina que força a diminuição dos hormônios do estresse.

– Respirar profunda e lentamente, várias vezes ao dia, com duração mínima de 3´30¨. Mas deve inspirar ao mesmo tempo em que infla a barriga. Deve também gastar mais tempo exalando do que inalando. É excelente para fumantes e idosos, já que amplia a capacidade pulmonar e, emocionalmente, aumenta a interação entre os meios externo e interno. Acalma por atuar no sistema nervoso parassimpático e sobre o instinto de sociabilidade, aliviando-o. 

– Levar sua atenção aos pés; descobrir que usa sempre da mesma forma ao descansá-los quando sentado numa cadeira durante o almoço, por exemplo. Mude imediatamente a posição deles, das pernas, e continue prestando atenção a cada situação semelhante, a fim de alterar o que se encontra automatizado. Isso cria novas sinapses.  

Essas são algumas pequenas amostras da facilidade com que podemos treinar a Atenção Plena. A partir delas torna-se possível entender o processo e acionar diversas outras: quando escova os dentes, na forma como está assistindo TV, mexendo no computador ou teclando no smartphone, na forma como se expressa, gesticula e etc. O dia-a-dia está cheio de tensão, de constipação, de maus hábitos. Vivemos enferrujados!

Atenção Plena não é autopoliciamento; não se trata de certo ou errado, mas sim daquilo que nos torna pessoas melhores pelo simples fato de sabermos como estamos e nos posicionamos no mundo; traz a mente para o momento presente onde tudo de fato pode ser feito com mais cuidado e respeito por si e pelo próximo. É uma técnica que imprime a coesão, a não violência, a integridade e o amor. Sua prática contínua desinfla o ego, o remaneja do centro e suspende os dramas da vida.    

Te amo! Lave as mãos com sabão e #ficaemcasa.

Que todos tenham paz e que todos possam ser felizes..